sábado, 11 de agosto de 2012

Jangadeiros



                        Ao povo irmão e amigo do Nordeste
O jangadeiro batiza suas embarcações graciosas e leves, com nomes leves e graciosos: Graciosa, Duvidosa, Carinhosa, Veloz, etc. Á tarde, quando no horizonte aparecem as velas diminutas, a garotada na praia diverte-se em identificá-las, anunciando-as aos gritos. Algumas, só mesmo o olhar e o coração das esposas podem reconhecer. Mas é raro suceder uma infelicidade; o barco é muito estável e a tripulação hábil e corajosa.
Quanto a origem deste tipo de barco, sabe-se que era conhecido dos Tupis (com ausência de velas), que o usavam nos rios ou rente à costa, sendo impulsionado à força de remo, varejão ou unicamente levado pela correnteza. O complexo da vela parece ser contribuição de europeu e, assim, o jangadeiro teria herdado de seus avôs um ou outro elemento: do seu antepassaso português, ganharia o conhecimento da vela e o destemor pelo mar; da sua avó Índia, traria a jangada.
O fato é que o jangadeiro constitui no Nordeste um tipo original, emprestando a paisagem feição própria. As jangadas, pequenas e frágeis, oscilando no mar alto, oferece contraste que ressalta o lado heróico. E este tipo de caboclo audaz e despreocupado do perigo tem já merecido a consagração do seu valor nos versos contados dos poetas, principalmente dos bardos nordestinos.
Gostam os jangadeiros de contar suas proezas, algumas tão ingênuas quanto fantasiosas, fato comumente observados entre homens que levam uma vida afanosa e de aventura. De suas lendas e histórias, poder-se-ia compor uma das mais interessantes coleções.
A: Copiei.

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