terça-feira, 22 de novembro de 2011

A menina do semáforo

Magrinha, mal vestida, olhar espantado, a menininha se esgueirava ágil entre os carros parados no semáforo. Não devia ter mais que dez anos. A mãozinha estendida enfiava rápido em qualquer veiculo que tivesse um vão na janela. Ou, com os dedos, batia nos vidros, ostentado um sorriso.
Sabia que tinha que arrumar uns trocados. Do outro lado da vida, alguém a maltrataria, caso voltasse de mãos vazias. Ela sabia disso. E, corria ansiosa, parecendo estar acostumada com aquela vida, à única que conhecia até então. Já havia sido levada algumas vezes para um abrigo qualquer, mais por motivos desconhecidos, acabava voltando para as ruas. Seus olhos têm o brilho de quem não liga para o amanhã. Para ela, o presente parou ali entre os carros. E sua felicidade é receber qualquer moedinha oferecida por alguém que queira agradar, ou que, deseje livrar-se daquela presença, que para muitos é sinônimo de incomodo.
Quando o semáforo está para fechar, ela já sabe. Senta-se ali mesmo, na beira da calçada, onde espera os carros pararem novamente.
Pobre criança! Queira Deus que ela encontre o caminho certo. Não aquele para onde os carros vão, mas para aquele onde possa ser criança, jovem e adulta, respeitada na sua dignidade de ser um ser humano e feliz de verdade. Feliz, como todas as pessoas devem ser. Com o verde da esperança, o amarelo do ouro e o vermelho do amor. Com parada obrigatória, mas a vida seguindo...
A: Ligia.

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