quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Lala, bonequinha de pano

Quanto mais coloridas, mais bonitas. Eram assim as bonequinhas de pano que minha avó fazia. Os retalhos iam sendo separados e guardados com todo cuidado. Pareciam pedaços de sonhos esperando a hora de transformarem-se em realidade.
Nós sabíamos que tinha que esperar, e mesmo sem saber, era como se estivéssemos gerando o que seria nossas filhinhas. Sim, eram sempre bonecas, - bonecos - salvo quando pedíamos.
Não sei por que vovó quase não fazia bonecos. Acho que ela gostava de colocar os babados, rendas, frou-frou e os enfeites especiais que tornavam as ‘bruxinhas’ encantadoras.
Eu tinha várias bonequinhas daquela, mas a que eu mais gostava era a Lala. Com seus grandes olhos redondos, pestanas feita com fio de linha engomado, os cabelos de lã e uma baita rodela colorida com ‘rouge’ nas bochechas, era a minha preferida.
Um dia fiz o que seria o primeiro modelito para Lala. Foi um retângulo franzido na parte de cima e que foi sendo amoldado até ser preso na cintura. Depois com outro pedacinho de pano fiz a blusinha (outro retângulo com abertura para braços e cabeça) e a toquinha. Eu chamei ‘aquilo’ de vestido.
Minha avó querida (que Deus a tenha) a tudo observava atenta. As vistas cansadas, os dedos já trêmulos, acabaram de enfeitar a Lala. E quando me devolveu, senti que junto com aquela boneca de pano veio um carinho todo especial. Na minha inocência, sorri feliz e agradecida.
Hoje, já não tenho nenhuma delas. Entre as bonecas de pano de vovó e outras industrializadas vejo uma diferença quase gritante. Creio que as bruxinhas que nossas avós faziam eram recheadas com amor e carinho. Talvez não tivesse o esmero de essas modernas, mas embalaram o sono de muitas vovós, que hoje que as compram para suas netinhas. E, com certeza ficarão guardadas para sempre na memória e no coração de cada uma, assim como no meu, a lembrança carinhosa de alguma Lala.
A: Ligia.

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