sábado, 13 de novembro de 2010

Meus cavalheiros

Estava no baile e, quando a música começou ambos estenderam a mão convidando-me a dançar. Fiquei surpresa e indecisa. Recusei e agradeci. Então o ‘mais velho’ cedeu à vez ao ‘mais moço’.
Prometi a ele a próxima música e acompanhei o ‘mais moço’ à pista de dança. O moço dançava muito bem e tinha uma maneira de conduzir a dama até um pouco ousada. Gostava de se exibir, eu diria.
Notei que o meu cavalheiro se portava de uma maneira muito inconveniente, suas mãos escorregavam pelas minhas costas indo e vindo das omoplatas até um pouco abaixo da cintura. Comecei a ficar incomodada com aquela situação e como pessoa educada que sou, procurava discretamente uma forma mantê-lo afastado. Isso parece que o excitava. Era quando ele inventava maneiras de puxar-me para si. Até que falou:
_Quero fazer amor com você? Quero que seja minha amante?
Senti o chão fugir sob os meus pés.
Que sujeitinho folgado! Que vontade de dar-lhe um soco.
_Não, obrigada, só vim aqui para dançar.
E devolvia cada gesto mais ousado dele com uma forte pisada nos pés. Vi que estava sendo pouco e mencionei que gostaria de voltar à mesa, mas ele fingiu não entender e começou a falar de sua vida. Disse-me que era casado e que não ia bem no casamento (detesto homens que usam estes subterfúgios quando estão a sua procura de aventuras). Ufa! Fiquei aliviada quando a música terminou.
Quando estava quase chegando à mesa, eis que surge o ‘mais velho’.
_Quer dançar comigo?
_Claro, eu lhe prometi, não! – respondi.
Caminhamos até a pista e marcamos os primeiros passos. Sua maneira de conduzir era firme e ao mesmo tempo delicada. E dançava bem, o carinha! Mantinha a distância necessária para uma boa condução e não inventava passos desnecessários. Talvez por isso desse para sentir a emoção da dança e da música em si.
_Reparei que vens sempre aqui! – disse.
_Eu gosto de dançar neste salão. – respondi.
E assim começamos uma conversa, que se revelou sadia e bem humorada. Falou-me de sua vida sentimental (divorciado, dois filhos) se era verdade, não sei. Também eu não estava ali para arrumar encrenca, meu caso era dançar...
Perguntou sobre minha vida, tudo de um modo simples, educado, não se achando o dono da situação e nem questionando minhas respostas.
Devo dizer que gostei de dançar com ele, conversar.
Trocamos de par algumas vezes, mas sempre encontrávamos um jeito de dançarmos novamente.
Mais tarde, quando a orquestra parou para o descanso dos seus componentes, pude observar que o salão estava muito cheio. Procurei na multidão e avistei o ‘mais moço’ com um copo de cerveja na mão. Ri comigo mesma ao vê-lo se jogando para cima da mulherada tal qual um desesperado.
Eu sabia que tinha pessoas ali em busca de uma aventurazinha, é valido. Mas a maneira como ele fazia a abordagem era tão ridícula, que só o dito cujo não se mancava.
Quando o ‘mais velho’ chegou a minha mesa, eu já estava sendo convidada por outro cavalheiro. Uma piscadela e entendi que ele esperaria a próxima dança.
Fui ao seu encontro e ouvi baixinho:
_Sabe que você é um amor de pessoa?
Eu não sabia.
Para o novo... A amante.
Para o velho... O amor.
Tivesse eu que escolher...
A: Ligia.

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