segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Palhacinho e a Ampulheta

Distraído, o palhacinho observava o movimento de uma ampulheta, mas não conseguia entender o motivo pela qual ela deixava fluir toda a areia de seu interior para em seguida ficar de ponta cabeça e começar tudo de novo.
Ele – pensava – Que ficava em movimento a maior parte do tempo, dando cambalhotas, contando piadas e fazendo os outros rirem, pois era a sua vida, estava ali parado. E, pensando em fazer graça, pergunta com curiosidade:
_Que fazes, sra. ampulheta, já que a vejo aí movimentado incessantemente a sua areia?
Sem perder a marcação, responde a ampulheta cheia de orgulho:
_Marco o tempo das horas, o tempo da distancia ou de um abraço. Marco o tempo de uma dor, o tempo de um desafio, também marco o tempo do amor.
Há momentos que passam tão rápido que não consigo passar minha areia toda, e há também os momentos vagarosos. Então tenho que virar muitas vezes seguida.

Posso marcar o tempo que dura um sorriso ou uma tragédia. Neste momento, estou marcando o tempo que está aí parado, preocupado com a minha vida e sem cuidar da sua.
_Então sra. ampulheta – corta o palhacinho – seu trabalho é marcar tudo, tudo?
_Não palhacinho, eu sou como o calendário da vida. Marco o tempo de uma existência, mas não marco o da saída. Por isso, viro de ponta cabeça, a cada vez que termino de marcar um tempo. Tudo pode parar definitivamente, menos eu. E tenho que fazer isso muito rápido, pois tenho o tempo contado para marcar bons e maus momentos e tudo o mais.
O palhacinho entendeu que ainda não era à hora de ele parar, e dando cambalhotas, foi embora sorrindo feliz para quem cruzasse seu caminho. Enquanto isso a ampulheta permanecia ali no seu embalo, marcando o tempo de uma etapa em algum novo acontecimento.
A: Ligia.

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