domingo, 29 de agosto de 2010

A Morte da Noiva

O dia mais feliz da vida daquela noiva. O vestido branco sobre a cama, a linda grinalda e a coroação do sonho de amor de toda mulher.
Amava e sabia que era amada. Naquele instante, em outro lugar, o amor da sua vida também deveria estar ansioso para encontrá-la diante do padre.
Neste dia o quarto estava diferentemente bonito. Tinha sido o seu quartinho de menina e de moça. Um quê de mistério perambulava no ar e parecia projetar nas paredes uma sombra leve.
O dia que iria mudar de vida. Talvez a mudança mais radical de todas as vidas que, porventura pudesse ter vivido. Sonhava se tornar a Sra. S.
Cada noiva é única neste dia. Ela não era exceção.
Srta. S. ia se casar. Tudo pronto, igreja, festa... Um aperto no peito. Emoção demais. Lentamente começou a vestir-se. A expectativa era muita. Amigas queriam estar ajudando-a. Ainda não, a noiva precisava daquele momento seu.
Extasiada, se permitia divagar. Em sua cabecinha, como um relâmpago, vislumbrou vários flashes de sua vida. Infância, adolescência, o álbum de fotografias que a acompanhava desde bebê. Tempos de escola, o carinho e a união da família, o emprego estável. Até o primeiro namoradinho foi lembrado.
Lembrou quando trouxe esse que seria seu marido para conhecer a família, o pedido de noivado. O pai, cheio de recomendações, a mãe, oferecendo os quitutes que havia preparado com carinho para o dia, e os irmãos achando que aquele rapaz ia lhes roubar a irmã querida.
Agora estava ali, quase pronta para continuar sua vida. Ela diria: _Sim!
E seria feliz para todo o sempre.
Imaginou como estaria o noivo. A única coisa que sabia é que ele vestiria um terno cinza. Aos seus olhos, haveria de estar muito bonito. O seu marido...
De novo aquele aperto no peito, agora bem mais forte, mesmo assim sorriu. Hoje, começaria uma nova fase na vida. Uma vida que tinha começado muito antes de ela nascer. Uma vida que acompanha a cada um de nós por uma eternidade totalmente desconhecida.
Muito bonita no seu traje branco imaculado, deitou-se na cama e fechou os olhos. Um suave torpor tomou conta de si e ela permitiu-se relaxar. Quase inconsciente, sentiu um beijo terno roçar-lhe os lábios e não se assustou quando uma voz sussurrou no seu ouvido: _Venha!
E ela foi, deixando no leito o corpo vestido de noiva, que não precisava mais.
A: Ligia.
Obs. A foto foi copiada da Internet apenas para ilustrar o texto.

1 comentários:

Anônimo,  1 de setembro de 2010 09:58  

A vida é uma incógnita, por isso é bom vivermos da melhor forma possível pois ninguém sabe o que vai encontrar do outro lado. Me arrepiei todo. Gostei do que li. Um abraço.

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