segunda-feira, 26 de julho de 2010

Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento,

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto,
Que mesmo em face do maior encanto,
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento,
E em seu louvor hei de espalhar meu canto,
E rir meu riso e derramar meu pranto,
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure,
Quem sabe a morte, angústia de quem vive,
Quem sabe a solidão, fim de quem ama.
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama,
Mas que seja infinito enquanto dure.
A: Vinicius de Moraes.

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