terça-feira, 6 de julho de 2010

Histórias da Primavera

Primavera era muito querida no bairro e pelas ruas onde passava. Ninguém sabia seu nome verdadeiro, sua idade, nada. O apelido pegou pelo fato dela estar sempre com um chapéu enfeitado com flores de papel que ela mesma confeccionava. E variava os modelos.
Suas roupas também eram engraçadas, em diversos momentos faziam lembrar as roupas das bonecas de pano que a vovó fazia. Com direito a rendinhas, babados, etc.
Primavera, como carinhosamente a chamávamos, tinha sempre histórias para contar. Sabíamos que eram frutos da sua imaginação, mas gostávamos quando ela falava. E sentíamos que ela ficava bem, cada vez que se perdia nos seus devaneios. Tão logo se assentava em algum espaço era logo cercada por crianças, jovens e até adultos.

A história preferida era a de que um dia tinha sido princesa e ao cair da carruagem havia sido deixada para traz. Por vezes esquecia a versão anterior e dizia ter sido encantada por uma feiticeira má. O que sabemos é que nas suas fantasias, tinha sábios conselhos para quem de si aproximasse. Era modesta nas atitudes, mas envolvente e carismática. Mesmo na tristeza ela transmitia alegria. Sua voz chegava aos nossos ouvidos como a aragem de um vento brando, e ficava difícil desprender a atenção quando ela falava.
Primavera não é só estação do ano, ela pode ser também a prima Vera, aquela pessoa sem identidade que nos seus delírios traz um pouco de alegria à vida das pessoas ao seu redor, (uma contadora de histórias, uma sonhadora, quem pode dizer ao certo?). As flores artificiais que ostenta podem não ter cheiro, mas suas palavras têm calor. É provável que não tenha riquezas, mas seu coração tem amor.
Seu caminho é longo, seu destino, incerto, é por isso que quando ela chega ouve a saudação – A prima Vera chegou!
Por uns breves momentos podemos abraçá-la. E quando se vai, deixa conosco um pouco da paz que precisa espalhar pelo mundo.

Homenagem Especial
Este conto eu quero dedicar a Guita da Oxum, espírita umbandista e minha irmã biológica, pelos sete anos de obrigação junto à seita religiosa que escolheu.
Ah! Sim! Quero dizer o porquê da homenagem, aqui no meu Blog não discrimino religião, time de futebol, partido político, nada. Se o coração é puro, a amizade é virtual, mas sincera, este é o espaço certo. Todos, sem exceção, são bem vindos.
Quanto ao convite para ser madrinha do seu ‘bloguinho’, como ela diz, claro que aceito. E sou eu quem agradece. Não importa que não tenha muito jeito para blogar. Eu também não tenho. E como diria os ‘mais velhos’, sempre é tempo para aprender.
A bênção, velha! E que teus Orixás a abençoem também. Axé!
A: Ligia.

1 comentários:

Guita 14 de julho de 2010 16:04  

Querida Ligia, só agora pude vir de publico agradecer a sua homenagem. Saiba que fiquei muito sensibilizada e que a amo muito. A benção, madrinha, e que Deus abençoe muito muito a vc e os seus.

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