quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O Carrinho Na Ladeira

Um carrinho cheio de brinquedos reclamava por estar largado dentro de um quarto, e resmungava: - Preciso de alguém para me puxar, de que adianta tantos brinquedos bonitos se ninguém vê. Preciso andar, desfilar por aí, passear no bosque, mas tenho que ter alguém que me puxe.
Os meninos maiores passavam pelo carrinho cheio de brinquedos quase sem notar. O que fazer então! Precisava se mexer, mas quem o locomoveria.
Ao mesmo tempo em que meditava, ainda tinha a preocupação de não querer cair nas mãos de criancinhas que pudessem destruir os lindos brinquedos que eram a sua carga.
O carrinho ficou tanto tempo ali que esqueceu do seu objetivo principal – fazer uma criança feliz. E sentia-se o dono da situação. Queria aparecer a qualquer custo, só que precisava de alguém.
Como que caído do céu apareceu um menino. O carrinho viu nele a possibilidade de dar o tão sonhado passeio. Usando de má fé, convidou-o com a promessa de que brincariam muito. E foi puxado por caminhos difíceis, tortuosos, tendo ficado radiante quando viu aquela íngreme ladeira.
- Quero subir lá em cima, quero ver tudo do alto, quero que vejam os brinquedos que carrego! - Exclamava eufórico...
O menino puxava. Já subindo a ladeira não tinha como evitar que caíssem alguns. O carrinho reclamava: - Cuidado, seja mais atencioso... Cuidado.
Com jeitinho, o menino ia empurrando o carrinho ladeira acima. Quando chegaram bem no alto, já cansado, ele tentou pegar um dos brinquedos:
- Não, não! Resmungou o carrinho – você vai quebrá-lo. Eu queria chegar aqui em cima, bem no alto para que todos me vissem!
- Mas eu trouxe você aqui para brincarmos! Não vou quebrar nada, prometo.
- Você é só para me puxar! – Retrucou o carrinho.
- Não sou - falou o menino - Eu empurrei você ladeira acima e já que não podemos brincar, vou embora.
Quando o garoto começou a descida, o carrinho gritou:
- Ingrato, te deixei empurrar-me e aos brinquedos, volte aqui, me leve de volta!
- Sinto muito – respondeu o menino – Eu não saberia puxá-lo nem empurrá-lo para baixo, os brinquedos cairiam e eu teria que pegá-los. Imagino que ao subir você sabia que teria que descer, então procure uma escada! E indignado, gritou: - Não me chame de ingrato, combinamos uma parceria e eu cumpri a minha parte, adeus.
O menino foi descendo sem entender bem o que tinha acontecido quando de repente encontrou um coco verde já seco, e feliz continuou morro abaixo fazendo malabarismos com o novo brinquedo.
A sua cabecinha de criança já sabia: Puxador de carrinho é uma coisa, amigo para brincar é outra muito diferente.
A: Ligia.

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