quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Dez Letras

O jogo parecia ser fácil e o prêmio tentador: Felicidade. Foram inscritos muitos candidatos. Até os que se julgavam felizes queriam participar, e com as mais diversas intenções. As regras eram claras, todos deveriam fazer uma redação dizendo o que seria ‘FELICIDADE’, na concepção de cada um, e o que os deixaria mais felizes.
Jogo aberto foi dado a largada. Alguns se confundiam e já saíam atropelando os adversários. Outros se sentaram em seus ricos escritórios, contabilizando seus bens e preocupados em os aumentarem dez, cem vezes... Isso seria a felicidade para eles.
A feia achou que ganhando uma plástica geral já seria feliz. O velhinho, na fila do banco, olhou de soslaio para a jovem na outra ala, e suspirou, - Que felicidade se pudesse voltar a ser moço! E tinha pensamentos inconfessáveis...
Deus, um dos juizes invisíveis daquela competição, sabia o resultado final, mas queria observar o comportamento de cada um.
No parque, o bebê no carrinho, se jogava e esperneava querendo descer. Na certa estaria pensando, que feliz seria se pudesse estar brincando na areia, pisando a grama, etc. Todos queriam a felicidade não alcançada materialmente. A velhinha queria uma prótese dentaria, o cientista sonhava descobrir a formula da sabedoria. O mendigo trocaria de bom grado os papelões onde dormia, por um colchão e cobertor... Ninguém fugia a regra.
A luta continuava e os candidatos só tinham preocupações com seus propósitos, pois o tempo para apresentarem seus conceitos de felicidade estava terminando.
Menos para Job, menino de uns dez anos que tinha tudo, e só estava na competição por curiosidade infantil. Ele pensava: Será que felicidade é mais do que ter uma família unida, casa grande, carros na garagem, muito dinheiro no banco, boa escola, saúde, pais amorosos, e nada, absolutamente nada com que se preocupar!
Então, tomado pela preocupação e sentindo-se cansado, resolveu que não mais competiria, parou de escrever e foi dar uma volta pelo jardim. Queria pensar... Numa das voltas, viu aquele menino muito humilde (teria uns dez anos também) que, de rosto colado nas grades da bela casa, suspirava:
- Deve ser a maior felicidade correr naqueles jardins, escorregar na escadaria como se fosse carrinho de rolimã, será! Como eu, que não sei escrever escreveria ‘felicidade’? - Perguntou a si mesmo.
E assustou-se, quando ouviu aquela vozinha:
- Que quer aqui, menino?
- Estou procurando a felicidade, é aí que ela mora? – Devolveu o menino...
- Acho que sim! – respondeu Job.
- Deixe-me vê-la, por favor! Implorou ansioso, o menino pobre.
- Sim, venha comigo...
O segurança da mansão hesitou por uns instantes, antes de liberar a entrada do menino que conversava com o patrãozinho. Mas vendo simplicidade nos olhos daquela criança foi gentil e pediu que uma das arrumadeiras fizesse companhia aos meninos.
Dentro da casa, Job conseguiu que o menino fosse banhado, vestisse roupas adequadas e diante da mesa rica em guloseimas, sentaram-se os dois. E conversavam animadamente (coisas de crianças) enquanto comiam.
- Já vi muita coisa bonita, amigo, mas ainda não vi a felicidade?
Como que procurando, os olhos do menino se arregalavam a cada aposento visitado, e quando chegaram ao quarto de Job, a surpresa foi enorme.
- Uau! Esse quarto é só seu?
- É, quer jogar vídeo game?
- Sim, eu quero!
Job escolheu um jogo e brincaram por um bom tempo, até que o menino, interrompendo o game, indagou: - A felicidade mora aqui!
Falou Job:
- Bom, sou um menino e não sei ao certo, mas acho que sim... E estou muito feliz por você estar aqui!
E abraçaram-se ternamente.
- Estou sentindo o seu coração! Exclamou o menino, parecendo extasiado.
- E eu, o seu! Respondeu Job.
- É felicidade! Exclamaram quase a mesma voz.
E ficaram por mais alguns segundos abraçados como se fossem velhos amigos.
Um pouco mais tarde, hora da despedida. - Agora preciso ir, tenho que contar prá minha mãe que a felicidade está aqui, dentro de mim!
E correram em direção ao jardim. No portão, enquanto se despediam, Job falou:
- Volte quando quiser. Eu também sinto a felicidade! As duas mãos cruzadas sobre o peito tentavam manter controle sobre o coraçãozinho saltitante.
Enquanto isso, a competição corria acirrada. O premio: Felicidade...
Talvez fossem apenas dez letras escritas numa placa de um material qualquer, mas para aquelas duas crianças bastou um sentimento verdadeiro para deixá-los ainda mais felizes. Cada um na sua condição, sem precisar de concurso algum.
E o menino Job escreveu: Eu já tenho felicidade, e ela faz meu coração bater forte quando abraço um amigo, quando divido meus brinquedos com ele e quando o vejo ir embora contente.
Aquelas duas crianças tinham razão... A felicidade está conosco, onde estamos e no que possamos fazer para deixar nosso semelhante feliz.
E Deus viu muita gente se perder nos caminhos de uma busca por uma coisa que na verdade está dentro de cada um. Por que felicidade, antes de escrever as dez letras, é preciso sentir, e dividir.
A: Ligia.

3 comentários:

Silmara F. 30 de dezembro de 2009 16:57  

Olá Ligia, td bem?
Passei p te desejar um Feliz 2010, á vc e seus familiares. Que Deus Vos abençõe em tudo que fizeres.
E agradeço á vc todo o carinho q vc tebe por mim nesse ano de 2009, vc é muito especial.
Sucesso e bjs.

*Lisa_B* 31 de dezembro de 2009 05:25  

Amiga linda,
adorei o texto e como é tão mágico.
A magia precisa ser compreendida mas teimamos em não entender.
Se todos pensassem no pouco tempo que se vive não fazia tanto conflito, tanta guerra, tanta ambição pois o destino final é sempre o mesmo...
Beijinhos com carinho

Ligia, 31 de dezembro de 2009 10:42  

Deus abençoe cada um que por aqui passa e deixa mensagens tão carinhosas. Que 2010 traga muita paz, saúde e felicidade.
Um beijo de paz e carinho para todos, inclusive as crianças lindas.

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