domingo, 20 de dezembro de 2009

Bendita Lagrima

Bendita a lagrima em que se cristaliza o acervo atroz de nossas dores e que dilui o negro fel de nossas mágoas.
Bendita a lagrima a cuja tona flutuam farrapos sombrios de sonhos dourados e em cujo fundo vagueiam espectros tristonhos de esperanças mortas.
Bendita a lagrima dos que carpem a desdita de nascerem sem teto e choram a desgraça de viverem sem pão.
Bendita a lagrima dos que jamais conheceram um afeto de mãe e nunca provaram um carinho de esposa.
Bendita a lagrima, desafogo amigo dos que são sós e consolo ardente dos que são tristes.
Bendita a lagrima dos que põe nos ombros a cruz de seu próximo e o ajudam a escalar o calvário da existência.
Bendita a lagrima dos que buscam, errantes, o calor de um afeto e somente encontram o frio de desprezo.
Bendita a lagrima dos que sofrem injustiças pelos ideais que defendem e só colhem ingratidões pelo bem que semeiam.
Bendita a lagrima que erige no cérebro um templo á Verdade e converte o coração num sacrário de Amor.
Bendita a lagrima que aflora, escaldante, nas noites do sofrimento e esplende como um sol nas manhãs da redenção.
Bendita, enfim, a lagrima, gotas de luz das auroras celestes e síntese terrena do orvalho divino.
A: Rubens C. Romanelli.

0 comentários:

Comigo agora

  ©Template Fragmentos (Textos, Poesias, etc) by Silmara Layouts