terça-feira, 22 de setembro de 2009

Diário, Coisas do Coração


Diário...
Tempo bom aquele, dias felizes, romantismo no ar, pureza de sentimentos. Tudo escrito, agendado num caderninho de capa colorida feita com papel de presente.
Diário, tive o meu e sei de muitas amigas que tiveram também.
Diário era uma espécie de confidente, posso dizer que era quase uma relíquia. Nele depositávamos tudo aquilo que o dia a dia nos proporcionava e não tínhamos coragem de dividir com ninguém. Fosse alegria, tristeza, ou um simples oi.
Era uma espécie de irmã mais velha, um conselheiro, eu diria... Ou travesseiro, lencinho de papel. Quem sabe, aquele melhor amigo.
Ainda deve ter quem o guarde.
Todos os dias tinham histórias para o nosso diário, isso até entrar naquela fase em que a vida começa a correr, o tempo escasseia, e ele, o diário, vai parar no fundo da gaveta ou de um velho baú. (Será que ainda existem baús?)
E ficava lá, esperando ser requisitado, cada vez mais raramente...
Só a dona sabia seus segredos. Um sol, flores, o céu estrelado, os coraçõezinhos desenhado juntos e pintados de vermelho, o cupido com sua flecha, a estrela cadente, enigma que seria decifrado somente por um alguém que, na sua inocência, se julgasse apaixonado.
Diário, onde a conversa desenrolava sem bloqueios, sem censura, e era tratado como se fosse o primeiro namorado. Escrever desanuviava o espírito, liberava as emoções. O baton carmim escondido na bolsa desenhava a boca que marcaria o papel. Só mesmo aquele caderninho sabia explicar o inexplicável, transformar rabiscos em sentimentos. E não reclamava quando alguma lágrima manchava uma de suas páginas.
Uma coisa é certa, quem já teve um diário e nele colocou emoções vividas ou sentidas, nunca o esquecerá. Nós sabemos que palavras o vento leva, e o que for escrito permanece... Bem oculto, às vezes sufocado, mais vivo para sempre no íntimo de quem um dia viveu sua adolescência, e, guardou em si um pouco daquela ingenuidade mágica dos tempos do diário.
A: Ligia.

1 comentários:

Nina 26 de setembro de 2009 03:13  

Oi Ligia, que lembrança gostosa essa leitura me trouxe. Bj.

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