terça-feira, 12 de maio de 2009

Só Tinham Três Bombons

Já tinha caminhado muito pela cidade visitando lojas, pesquisando preço, passeando. A manhã estava tranqüila e estava chegando o aniversário de uma amiga. Eu queria comprar-lhe uma lembrancinha. Como é ruim comprar presente para outra pessoa, a gente nunca sabe se vai agradar. Mas como estava com tempo, fui à luta.
Mal colocava o pé na porta de uma loja, logo aparecia uma vendedora ou vendedor para fazer sombra. Era assim em qualquer lugar que entrasse.
Que coisa chata! Eu pensava. Mas compreendia que fazia parte do trabalho deles, agradecia, e discretamente saía. O calor começava a me incomodar, então entrei numa lanchonete e pedi um suco de laranja. E fiquei sentadinha lá no canto. Foi quando ele entrou. Era uma figura muito estranha, com aquela roupa soturna. Cabisbaixo evitava olhar as pessoas no rosto. Parecia envergonhado por estar naquele lugar.
As pessoas presentes se entreolhavam incomodadas com a presença daquele senhor ali no balcão, (sim, era interessante e também um pouco assustador). Aí ele enfiou a mão num dos bolsos, com dificuldade contou umas poucas moedas e perguntou a vendedora quanto deveria pagar por uma caixinha com três bombons. Ao saber o preço ainda procurou mais algumas moedas e pediu que fosse embrulhada uma.
_Para quem seria! Fiquei curiosa. Seria para a mãe, alguma namorada, ou quem sabe um filhinho.
Quando ele saiu da loja não me contive e saí também. Ao ver que ele parava, disfarcei e sentei-me num dos banquinhos que enfeitavam a frente da lanchonete. Dali pude ver que ele desembrulhava a pequena caixa com o maior carinho. O primeiro bombom ele comeu quase que extasiado. Parecia um bebê faminto sugando o seio da mãe. Com que prazer ele degustou o segundo bombom. Seus olhos abriam e fechavam-se, sua boca se movia de uma forma voluptuosa como se estivesse levando-o a um orgasmo.
Na hora em que ia saborear o terceiro bombom, ele deu conta que eu o estava observando, então se virou e olhando nos meus olhos, perguntou:
_Quer um bombom?
_Não, obrigada! Respondi, quase sem voz.
E continuei ali sentada. Queria ter ido embora, mas as pernas não me obedeceram. Esbocei um sorriso envergonhado e mesmo cabisbaixa pude vê-lo satisfeito comer o último bombom. Só então eu levantei e comecei a caminhar pois ainda tinha um presente para comprar.
A: Ligia.

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