quinta-feira, 9 de abril de 2009

A Moça do Vestido Rosa

Lá estava ela na plataforma. Seu vestido rosa parecia responder a provocação do vento, pois balançava suavemente. O enfeite do cabelo emoldurava o rosto juvenil.
Naquele horário não havia muitas pessoas na estação. Logo se ouviu o apito do trem. Saltitando, ela aguardou que o comboio encostasse e embarcou. Um lugar vazio bem na janela a atraiu e foi lá que se sentou. O trem já estava em movimento e o ar fresco lhe roçava a face. O sol ora aparecia, ora se escondia, parecendo brincar. Ela retribuía com sorrisos e discretos acenos. As árvores balançavam frenéticas as suas folhas querendo saudá-la também.
A paisagem se mostrava indecifrável, misteriosa, com montanhas multicoloridas. No caminho, vilarejos de casas de diversos estilos e os verdes prados eram tudo o que se pudesse imaginar de bom.
E ela olhava. Já tinha feito esse trajeto diversas vezes e a cada dia parecia que tudo ficava diferente.
Ninguém era mais feliz.
Porque pressa! A felicidade estava ali, na imagem que se formava na sua cabecinha, no verde da esperança de cada quilometro rodado. O cheiro da terra úmida, naquele início de tarde a deleitava. Uma imensa vontade de ficar ali quietinha a fazia sonhar acordada. Não podia dormir. A próxima parada seria a estação na qual deveria descer.
Estação Paraíso! _ O autofalante anunciou.
Quando o trem parou, ela desceu, olhou para traz em tempo de ver o comboio se afastando lentamente antes de ganhar velocidade. Então ajeitou o vestidinho rosa e caminhou altiva em direção a saída da estação.
A: Ligia.

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